Calor infernal
Um alentejano vestido a rigor com samarra e camisa abotoada até à última casa, morreu e foi parar ao Inferno.
Ao chegar lá, deparou com 3 níveis de inferno:
- o nível 1 - muito quente;
- o nível 2 - ainda mais quente;
- o nível 3 - a ferver.
O diabo, ao reparar nele, começou a rir e mandou-o para o nível 1.
O calor era demais: viam-se pessoas a despir as roupas e a suar por todos os poros; o alentejano impávido e sereno encontrava-se de mãos nos bolsos como se nada fosse.
O diabo achou aquilo muito estranho e mandou-o para o nível 2. Ali estava gente completamente nua, a cair pelos cantos e encostados às paredes, um autêntico inferno de calor! O alentejano, impávido e sereno com as mãos nos bolsos, não torcia.
Aí, o diabo perdeu a paciência e mandou-o para o nível 3. O calor era insuportável, a maior parte das pessoas estavam mortas, viam-se caveiras por todo o lado.
Então o alentejano, finalmente, tira as mãos dos bolsos, desabotoa as primeiras casas da camisa e exclama:
- “Porra, se isto aqui está assim, imagino o calor que não estará em Beja!”














